segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Caras Como Eu - Titãs

Composição: Tony Bellotto

Caras como eu
Estão ficando raros
Como cabelos ralos
Que se partem e caem pelo chão

Caras como eu
Estão tirando o pé
Andando em marcha-ré
Com medo de entrar na contramão

Como trens do interior
Que não chegam no horário
Como velhos elefantes
Que morrem solitários

Caras como eu
Estão ficando chatos
Como solas de sapatos
Que se gastam
Com o passar do tempo

Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo

Como palavras de amor
Que não se guardam em disquetes
Como segredos sem valor
Que a gente nunca esquece

Caras como eu
Estão ficando velhos
Calçando os seus chinelos
Concluindo que não há mais tempo

Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo

Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

PARA PESSOAS INTELIGENTES - Rubens Alves (*)


Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre o que me calei: "O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se integrasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras ideias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou. Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre.". Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.

O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!

As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.

Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam.

Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol. Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção.". Isso é tarefa para os artistas e educadores.

O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

* Colunista da Folha de São Paulo...

sábado, 31 de dezembro de 2011

PLANEJAR O IMPREVISÍVEL - UM 2012 ABENÇOADO PARA VOCÊ!

Nestas últimas horas de 2012, nossas mentes se voltam para o futuro. Até ontem, a ênfase era lembrar dos feitos do Senhor no ano que passou. As atividades do final de ano, é claro, consumiram boa parte de nossos pensamentos, forças e recursos: festas, presentes, musicais, janelas, abraços, confraternizações… Agora, porém, é tempo de pensar em 2012. O que nos reserva o próximo ano? Que acontecimentos inesperados afetarão nossas carreiras, famílias ou igreja? Como se comportará o mundo? Que mudanças viveremos? O mundo acabará em março?

Como tentamos nos preparar para o futuro? Procuramos observar as tendências. Projetamos situações ideais. Elaboramos orçamentos. Visualizamos metas alcançáveis. Tentamos enxergar o futuro com as lentes da esperança. Uma coisa, porém, não conseguimos: prepararmo-nos para o inesperado, o imprevisto, o incompreensível! E isso é assustador!

Quando percebemos que o ano que terminou trouxe em sua agenda inúmeras situações inesperadas, catástrofes imensuráveis, tragédias imprevistas, buscamos a precaução de termos um Plano B para cada situação. Mas isso é demais para mim e para você...

No maravilhoso livro de Provérbios, há inúmeras referências à sábia habilidade de planejar com eficiência, inclusive diante do desconhecido. Que tal estas três?

  • Há limites para os nossos planos. Podemos aprender com o passado, viver intensamente o presente, mas o futuro permanecerá incerto. Podemos fazer conjecturas magníficas e um planejamento irretocável, mas o único que sabe com certeza o que vai acontecer é Deus. “Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor. Como poderia alguém discernir o seu próprio caminho?” (Provérbios 20.24). “Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, mas o Senhor é que dá a vitória.” (Provérbios 21.31)
  • Dependa de Deus para cada passo. Quando planejamos, queremos que nossas decisões sejam seguras e tenham bons resultados. Mas poucas vezes lembramos de levar Deus em consideração: quais seriam os planos dele? Assim, nosso planejamento é incompleto sem oração e o desejo de nos alinharmos com as intenções do Eterno. “O Senhor faz tudo com um propósito...” (Provérbios 16.4a) “Os olhos do Senhor protegem o conhecimento, mas Ele frustra as palavras dos infiéis.” (Provérbios 22.12).
  • Saiba que a sua única garantia é o Senhor! Frequentemente, quando fazemos planos, pressupomos que nada acontecerá que interrompa ou mude tais planos. Mas imprevistos acontecem - furacões, terremotos, chuvas torrenciais, reviravoltas econômicas, doenças, crises, e até mesmo a morte. O sábio não se garante em si mesmo: “Não se gabe do dia de amanhã, pois você não sabe o que este ou aquele dia poderá trazer.” (Provérbios 27.1)


Desejo, e oro ao Senhor da Eternidade, que 2012 seja um ano muito especial para a sua vida e sua família. Sugiro, para isso, que cada plano, sonho ou vontade do seu coração esteja em absoluta submissão ao que Deus tem para nós. E eu creio: é muito melhor do que eu possa planejar. Foi o que eu e você vivemos em 2011.

A Ele seja a glória em todo o 2012, e para sempre!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

EM DEUS NÃO EXISTE "SE"

Quando o assunto é Deus, "se" não existe.

Na semana que passou, uma entrevista que assisti na GloboNews causou um grande impacto em minha vida. A entrevista foi concedida a Geneton Moraes Neto. Os entrevistados foram Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA, e Desmond Tutu, Arcebispo sul-africano aposentado. Os dois participavam de um encontro dos ELDERS que aconteceu aqui no RJ, há poucas semanas. Os Elders são 10 anciãos de proeminência mundial que se reúnem duas vezes por ano para debater saídas para conflitos e problemas geopolítico-sociais do mundo moderno.

A pergunta feita a Tutu foi: "Qual seria a primeira pergunta que o senhor gostaria de fazer a Deus, SE tivesse a oportunidade de encontrá-lo cara a cara?"

Carter, rapidamente, interferiu: "SE", não. "QUANDO!"

Carter e Tutu, ao longo de toda a entrevista, puderam dar testemunho de uma espiritualidade cristã viva e relevante.

Tal intervenção levou-me a refletir sobre as certezas nas quais preciso estar firmado e, no mínimo, naquilo que ainda preciso aprender sobre e com Deus. Se em Deus não existe “Se”, é certo, também, que:
  • NELE NÃO HÁ DÚVIDA – Deus é! Enquanto o conhecimento humano propõe as suas variáveis e variantes, Deus é o mesmo ontem, hoje e será para todo sempre. Isso lança fora a fraqueza, a inconstância e o medo.
  • NELE NÃO HÁ MEDO – Consequentemente, a certeza que ele nos dá faz-nos descansar em seus desígnios, mesmo quando eles fazem pouco (ou nenhum) sentido em nossa lógica. Isto é segurança! Isto dá paz!
  • NELE NÃO HÁ INJUSTIÇA – A maneira como conjugamos os verbos e aplicamos as conjunções revela o quão instáveis e insubmissos somos. Só há uma maneira de relacionarmo-nos com Deus, sujeitando a nossa efemeridade à sua glória eterna. Hoje, pouca coisa faz sentido. Porém, crer na soberania de Deus e no maior de todos os dons que ele nos deu – a liberdade – dá-nos a convicção de que ele é bom e está no controle. Chegará o dia em que as nuvens escuras serão lançadas sobre os oceanos e o sol mostrará o seu fulgor incomparável e sem fim.
  • NELE NÃO HÁ MORTE – O natural é concebermos o fim de todas as coisas sob a ótica da morte, como se ela tivesse a autoridade de determinar o tempo e a validade de todas as coisas. A verdade é o oposto. A morte está sujeita à vontade e à eternidade de Deus. “Ela não é o fim”, como afirma Carter em outro momento da entrevista. Quem está em Deus sabe que a morte é o descortinar da glória planejada por Ele para aqueles que escolheram viver nele!
Sei que as circunstâncias nos seduzem a vivermos sobre as conjecturas dos “Se”. A verdade, entretanto, é que quando cremos em Deus somos ensinados a confiar e descansar que a essência do Seu Caráter é bondade e amor.

Uma vez que Deus é bom, ainda que as circunstâncias sejam ruins, difíceis e inexplicáveis, a eternidade confirmará que ele sempre soube o que estava fazendo o tempo todo.

E quanto a mim, vou aprendendo um pouco mais dele em cada dor, no intuito de ser achado fiel e crente. Isso para que, pela Graça, seja achado digno (mesmo sendo tão indigno!) de ser colocado na glória eterna quando todo os “se” terminarem aqui no mundo e restar uma última possibilidade – ser salvo!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Palvra e uma imagem

"Salva o teu povo e abençoa a tua herança! Cuida deles como o seu pastor
e conduze-os para sempre." (Salmo 28.9)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Conectividade, Interatividade, Proximidade - O Futuro Chegou!

O tal futuro está mais perto do que pensamos. Agora é a vez da Microsoft tentar posicionar-se à frente das demais. Este posto está ocupado pela Apple há tempos.

Gosto de filmes de Sci-fi. Sempre penso que a tecnologia futurista que eles mostram lá já está nas bancadas de algum laboratório do mundo, e em breve estará nas prateleiras seduzindo-nos.

Este vídeo exemplifica a minha tese, e me fez perceber que Os Jetsons se tornaram pré-históricos num curto espaço de tempo de 6 minutos e 18 segundos...

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Pra Cumprir Teu Chamado

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