segunda-feira, 10 de março de 2008
TRAGÉDIA E ESPERANÇA
É isso que realmente parece quando lemos notícias que nos causam estarrecimento como as de ontem: Acidente entre trem e ônibus mata 18 e fere 47 na Argentina Acidente em Campos deixa sete mortos e dois feridos Ex-PM é morto na Barra da Tijuca
Isto sem falar em acidentes aéreos, catástrofes meteorológicas, pestes, infestações...
Falar de esperança em meio à tragédia soa absurdo e inconsistente, eu sei. Às vezes até dá vontade de concordar plenamente.
Nesse momento, então, lembro-me do que pode me dar esperança. Apego-me à Palavra. Quero que se diga a meu respeito o mesmo que foi dito de Abraão: “Abraão, contra toda esperança, em esperança creu,...” (Rm 4.18a)
É possível ter esperança diante do ilógico, do inesperado, do inconcebível, da tragédia, da dor. Mesmo quando nada aponta o caminho. Mesmo quando pouca coisa faz sentido.
Quero aprender com Abraão: quero crer quando não há razões para crer. Eu quero esperar quando não há pelo que esperar! Quando a razão não faz mais qualquer sentido, a fé é a última instância que nos mantém em pé. Não podemos abrir mão dela, mesmo quando o mundo (ou um avião) desaba sobre nossa cabeça.
Continuarei crendo em Deus!
Creio na Sua soberania – Deus tem o mundo sob o seu domínio. O apóstolo Paulo disse que TUDO é dele, TUDO acontece por meio dele, e TUDO resulta na glória dele (Rm 11.36). É este Deus que sustenta os meus dias! Ele dá, ele tira. Bendito seja o nome do Senhor. Reis morrem, e seus reinados terminam, mas o Senhor permanecerá assentado sobre um alto e sublime trono (Isaías 6.1).
Creio no Seu amor – Nenhuma circunstância pode mudar o caráter de Deus e a sua natureza. A Sua Palavra afirma que Deus é amor (1 João 4.8b). Isso não varia, não se altera. Ele é o mesmo, ontem, hoje, e o será para sempre (Tiago 1.17). As tragédias são oportunidades para experimentarmos o amor incomparável de Deus que nos refaz a vida (Sl 71.20).
Creio nos Seus propósitos – Nenhum deles pode ser mudado (Jó 42.2). Hoje, em meio à dor aguda, pouca coisa (ou quase nada) faz sentido. Deus faz renascer a esperança que a sua vontade há de se revelar como boa, perfeita e agradável.
A tragédia é, então, oportunidade para reflexão, para rever valores, para colocar em ordem o que é essencial. É tempo de avaliação do tempo perdido com coisas fúteis, efêmeras, investir em relacionamentos. Principalmente, a tragédia é tempo de aproximarmo-nos de Deus. Ele é a fonte de toda esperança.
No meio da tragédia, creia: há esperança!
quinta-feira, 6 de março de 2008
ADORAÇÃO E ARTE - Luiz Sayão
Os judeus e os primeiros cristãos sempre contemplaram as manifestações artísticas dos pagãos e dificilmente dissociavam uma coisa da outra. A arte dos egípcios, babilônios, filisteus, gregos e romanos estava repleta de idolatria e de imoralidade. Não é difícil entender a repulsa de judeus e cristãos a tais manifestações.
Além disso, foi o próprio Deus que proibiu a confecção de imagens de escultura (Êx 20.4-5) como objeto de culto. O mandamento foi levado a sério pelos judeus. Não temos quase nada de esculturas hebraicas dos tempos bíblicos. No cristianismo primitivo a tendência prosseguiu. Todos sabem que a controvérsia das imagens foi um dos principais problemas da história da igreja. Até hoje católicos e protestantes têm linhas demarcadas em torno da questão.
Na área da música, as coisas também foram complicadas. O Novo Testamento fala pouco de música cantada na igreja. A igreja cristã sempre temeu que a música se tornasse um ídolo que prejudicasse a adoração genuína. O canto gregoriano tornou-se um estilo musical que evitava os desvios da alma. O problema persistiu na época da Reforma. O zelo por uma espiritualidade genuína e o medo da idolatria muito limitaram a expressão estética. Instrumentos musicais foram vistos com desconfiança. Os calvinistas mais radicais mostraram essa ruptura. Houve até mesmo uma destruição em massa de órgãos na Escócia. Graças à tradição luterana alemã, a música protestante teve força cultural e depois foi exportada para outros ambientes. O fato é que essa tradição de medo da arte teve efeito no evangelicalismo anglo-saxão e chegou também ao Brasil.
Em terras brasileiras a arte entre evangélicos teve outro agravante. Como era proibido construir templos no início da história protestante, nossos templos pareciam “caixotes da fé”, com pouquíssima referência estética. Além disso, por sua identidade anti-católica, símbolos como a cruz entre outros também foram abolidos. Em resumo, nossa herança estética é mínima. Por que tão grande divórcio?
Antes de iniciarmos qualquer preteritoclastia, é preciso observar que o problema da ruptura com a arte surgiu da leitura da própria Bíblia.
Quando lemos a gênese da arte nas Escrituras, ficamos assustados. Tudo começa com a família de Caim. A arte começa num ambiente anti-Deus, com características más como independência de Deus, imoralidade e violência. O toque final da estética de Caim aparece na figura da Cidade, resumo daquela civilização anti-Deus:
19 Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá. 20 Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. 21 O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 22 Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá. 23 Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. (Gn 4.19-22 – NVI)
Mas a pergunta que devemos fazer é: será que o início da estética compromete plenamente sua manifestação? O problema está na arte ou no coração do homem? Deus criou tudo bom e bonito (cf. o hebraico: Gn 1.31). Na verdade, Deus é o Senhor de toda arte! Ele é o Deus da estética. Por isso, vejamos outros enfoques estéticos nas Escrituras:
Em Êxodo 31.1-7 (NVI), há um texto bíblico surpreendente: 1 Disse então o Senhor a Moisés: 2 “Eu escolhi Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3 e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística 4 para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, 5 para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal. 6 Além disso, designei Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, para auxiliá-lo. Também capacitei todos os artesãos para que executem tudo o que lhe ordenei: 7 a Tenda do Encontro, a arca da aliança e a tampa que está sobre ela, e todos os outros utensílios da tenda ...
Como pode o Deus que proibiu “fazer imagens de escultura” ordenar a confecção artística do tabernáculo (Êxodo 25 a 40), o que incluía a imagem de dois querubins! E o texto ainda diz que a capacidade de criar e expressar o Belo veio do Espírito de Deus! Começa aqui uma história de redenção da arte. Deus condenava a idolatria, mas nunca foi seu objetivo destruir a própria arte.
Prosseguindo pela Bíblia, vamos encontrar arquitetura e estética espacial no templo de Salomão, música muito elaborada nos Salmos e em outras partes, muita poesia cuidadosamente trabalhada em grande parte de toda a Bíblia. Há inclusive uma espécie de encenação teatral nos profetas (Ezequiel). Deus é o Senhor de toda arte!
Mesmo que a motivação de muitos cristãos tenha sido sincera, muito da teologia da estética presente na Bíblia não foi percebido por eles. Por isso, herdamos um cristianismo de expressão tão sisuda, e às vezes melancólica, que tem dificuldades de dialogar com a estética e com a cultura nacional contemporânea.
A questão é muito séria porque a arte tornou-se fundamental para a sociedade contemporânea. É o principal meio de veiculação de conteúdo. O pensador Francis Schaeffer criticou a atitude de afastar-se da arte comum do evangelicalismo americano no início do século 20. Isso foi mortal para a igreja, pois a música e o cinema tornaram-se monopólio do pensamento secular. O conservadorismo entregou as novas formas de expressão ao mundo não cristão, facilitando a formação de uma geração secular e pagã! Por isso, a igreja precisa redescobrir o valor e o poder da arte. Mesmo que seu início na história bíblica seja maculado e que seu transcurso histórico esteja muito marcado pelo pecado, na Bíblia Deus redime a arte, para a sua honra e sua glória. Hoje, vemos ritmos como valsa, rock e samba, que surgiram longe dos arraiais da fé, serem usados por Deus para o benefício do reino. O que era para o mal, tornou-se bem! Deus dá um nó no Mal!
A vitória de Deus é extraordinária. Vale observar que o Apocalipse termina a Bíblia cheio de arte e cheio de muita música. Até a Cidade, símbolo da arte e do progresso do mal, é transformada em bênção (Ap 21.1-4). Que Deus use cada Bezalel e Aoliabe de hoje. Nunca a relevância do artista cristão foi tão importante na história!
quarta-feira, 5 de março de 2008
PINGOS NOS "Is"
“Prepare-se como simples homem que é; eu lhe farei perguntas, e você me responderá. 'Você vai pôr em dúvida a minha justiça? Vai condenar-me para justificar-se? Seu braço é como o de Deus, e sua voz pode trovejar como a dele? Adorne-se, então, de esplendor e glória, e vista-se de majestade e honra. Derrame a fúria da sua ira, olhe para todo orgulhoso e lance-o por terra, olhe para todo orgulhoso e humilhe-o, esmague os ímpios onde estiverem. Enterre-os todos juntos no pó; encubra os rostos deles no túmulo. Então admitirei que a sua mão direita pode salvar você.'”
(Jó 40.7-14)
terça-feira, 4 de março de 2008
VALORES PARA UMA DECISÃO ACERTADA
Fundamentalmente, somos fruto das nossas decisões pessoais. Um dos momentos mais críticos na nossa vida é quando temos de tomar decisões. Sejam elas em qualquer nível da nossa vivência, geralmente somos dominados pela ansiedade, pelo medo do erro, pelo terror do fracasso.
Esta crise se assevera na vida cristã. Pois além dos medos naturais da fraqueza humana, tememos que nossa decisão vá contra a vontade de Deus. Creio que este medo seja muito saudável! Se o crente tão somente temesse a vontade de Deus, todos os outros medos seriam vencidos.
O homem natural (i.e., sem Deus) decide baseado em valores visíveis (sucesso, lucro, prosperidade...). Aquele que teme ao Senhor, não obstante os valores visíveis, deve tomar decisões motivado por valores sublimes.
Que valores, então, são necessários para uma decisão acertada? O Salmo 25, especialmente nos versos 3-5, nos ajuda a responder esta pergunta.
(1) Há um Deus soberano – É preciso crer que tudo está debaixo de um propósito perfeito do Deus eterno. Ele fará com que qualquer circunstância resulte em glória ao seu nome (Rm 8.28).
(2) Nele não há decepção – Ainda que a resposta não seja a nossa expectativa ou a nossa vontade, devemos descansar que ele é Deus. Na confiança no Senhor não há frustração.
(3) Ele quer revelar a Sua vontade para você – Eu sei que descobrir e entender a vontade de Deus é um dos desafios para a vida cristã, se não o maior! No entanto, nunca perca de vista o fato de que Deus é o maior interessado em que você trilhe os caminhos Dele. Por isso, Ele quer lhe falar acerca da Sua vontade.
(4) Você precisa estar disposto a obedecê-lo – A revelação da vontade de Deus e dos Seus propósitos para a sua vida para nada servem se você não obedecê-lo.
(5) Dependa de Deus para todas as coisas – Reconheça que você não sabe nada. Se não for Deus, não tem mais ninguém (Sl 124.1). Os nossos erros são cometidos nas frações de segundos em que nos independemos de Deus.
Que Deus ajude você a descobrir os verdadeiros valores para uma decisão que traga paz, segurança e vitória para a sua vida.
segunda-feira, 3 de março de 2008
DUAS COISAS
Mantém longe mim a falsidade e a mentira;
não me dês nem pobreza nem riqueza;
dá-me apenas o alimento necessário.
Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria,
e diria: 'Quem é o Senhor?'
Se eu ficasse pobre, poderia ver a roubar,
desonrando assim o nome do meu Deus."
Provérbios 30.7-9
domingo, 2 de março de 2008
EXPRESSÃO DE ADORAÇÃO
As atitudes de Davi evidenciam uma genuína expressão de adoração. Questionado por Mical, filha de seu antecessor Saul, ele apresenta a sua visão do que é a verdadeira adoração ao Deus vivo. Ele nos ajuda a responder o que deve ser, e o que deve conter um culto ao Senhor. A partir das palavras do rei Davi, que por sua vez conhecia bem o que significava louvor ao Senhor, afinal foi o que compôs a maior parte dos salmos, podemos identificar o que significa adorar ao Senhor.
O seu culto deve ser uma expressão INDIVIDUAL de adoração. Davi diz a Mical: “foi perante o Senhor que eu dancei” (v.21). Culto não é para os outros verem. Deus é o que assiste o nosso culto. É a ele que sobem os nossos louvores. A qualidade do meu culto é diretamente proporcional à qualidade do meu relacionamento com Deus. Na verdade, culto é relacionamento!
O seu culto deve revelar um CORAÇÃO AGRADECIDO. Davi tinha bem claro os motivos que o levavam a louvar ao Senhor tão esfuziantemente: “perante aquele que me escolheu” (v.21). Deus lhe havia abençoado com o reinado. Não somente isso! Davi entendia que o seu louvor deveria ser motivo, também, por aquilo que Deus faz. Ao cultuar, devemos trazer em nosso coração as bênçãos enumeradas com as quais o Senhor nos tem coroado. O que o Senhor tem dado a você? Como você tem experimentado o seu imensurável amor?
O seu culto deve expressar um CORAÇÃO HUMILDE. O Senhor não pode habitar plenamente em um coração altivo. A soberba não agrada ao Senhor. Davi sabia disso. Por isso ele diz: “perante o Senhor me rebaixarei ainda mais”. Não significa autoflagelo, muito menos autocomiseração. O que o Senhor quer encontrar em meu interior é o quebrantamento que produz dependência. Eu sou pó! E diante da imarcescível glória do Pai, devo me curvar e me quebrar. O Senhor vai me refazer. Ele me transformará!
O seu culto deve testemunhar um CORAÇÃO ALEGRE. Os versículos 14 e 15 retratam o entusiasmo com que o povo recebeu a Arca de volta. Culto ao Senhor implica, necessariamente, em expressão de alegria. Note que o povo gritava, tocava os instrumentos e dançava na presença do Senhor, faziam barulho! Era festa! Culto é festa! Quanto mais hoje que adoramos ao Deus Vivo! Nossos cultos devem acontecer em meio à alegria da celebração por tudo o que Deus é e faz.
Para terminar, a verdadeira expressão de adoração não está preocupada com a forma do que se vê, mas com as razões que motivam e fundamentam o meu culto ao Senhor. Ele vê o coração mais que tudo. Que Ele, ao ver o meu e o seu coração, encontre amor, gratidão, quebrantamento e alegria. Se no coração forem encontradas estas expressões de adoração, pouco importará aquilo que é visível. É no que creio! É pelo que eu vivo!