quarta-feira, 13 de agosto de 2008

TEMPO MÁGICO

O texto não é meu, mas sem falsa modéstia gostaria de tê-lo escrito.
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Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos a limpo".
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena
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3 comentários:

Luiz disse...

Vivemos num grande supermercado, onde as pessoas estão expostas em prateleiras e compramos aquelas que tem a embalagem mais bonitinha. Ou então, aqueles frascos de perfumes onde o exterior é muito mais belo e durador que seu conteúdo.
A inversão dos valores empurra muitos ao abismo da superficialidade das relações.

ecg-araujo disse...

Infelizmente, das pessoas que conheço, pastores são aqueles que menos se envolvem com as pessoas. São superficiais e vivem num mundinho todo seu.
Espero que o senhor seja uma exceção.

wky9 disse...

É vital repensarmos o tipo de espiritualidade e relação que desenvolvemos uns com os outros. A simplicidade tem sido substituída pelas relações utilitárias, que são nada mais, nada menos do que produto de um tempo histórico crítico e confuso, pois fomenta o individualismo exacerbado e cria uma espiritualidade rasa.

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